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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Dias de pré-caos social (depoimento de Valete)

Dias de pré-caos social

Austeridade transversal. Mais uma vez é hora de oposição. A verdadeira oposição feita com a voz e o sentimento popular. Dia 26 de outubro, estaremos lá. Leva os teus também. Mais do que nunca é hora de participar, é hora de exercer cidadania, e de impedir esta ofensiva neo-liberal. 
Que se lixe a Troika.
Valete

Maré alta (depoimento de Sérgio Godinho)

Maré alta 

Em 1971, para encerrar o meu primeiro disco, Os Sobreviventes, escrevi uma canção com uma das letras mais curtas:

«Aprende a nadar, companheiro, que a maré se vai levantar, que a liberdade está a passar por aqui. Maré alta maré alta maré alta». Às vezes o menos é mais.

Estávamos então em pleno marcelismo, e digo-o com letra pequena porque era uma versão já semi-inerte do fascismo. E no entanto, havia ainda uma polícia política, agora com três letrinhas apenas, DGS, que se dedicava às mesmas nobres actividades da PIDE sua mãe. Vigiar, prender, torturar, nada de novo. Havia uma guerra colonial que se arrastava pelos campos minados de África, campos imensos sem fim à vista nem esperança de solução. E muitos mortos e feridos e enlouquecidos. Havia censura de peneira fina, e havia a emigração dos pobres, uma peneira de furos largos a deixar fugir o melhor de nós.

E no entanto a liberdade estava a passar por aqui. «O solo que pisamos é livre, defendamo-lo» foi o que pensaram e fizeram muitos resistentes, novos e antigos.

Havia um velha adivinha que perguntava: «Qual é a altura do Salazar?» E respondia-se: «É a altura de se ir embora». O mesmo valia para a sua herança e os seus descendentes. Era altura de se irem embora.

Foi nesse conjunto de pensamentos e acções que se chegou à luminosa manhã do 25 de Abril. Vim então de longe, como muitos de nós, para ver e acreditar nos meus olhos e em todos os meus sentidos. E para cantar pela primeira vez no centro do redemoinho de uma maré alta onde todos pudemos vir à tona e navegar à vista longínqua.

Passados todos estes anos, sabemos como o país está em maré intencionalmente esvaziada e sangrada, e assim estará nos tempos mais próximos, aconteça o que acontecer.

Mas não interiorizemos o medo escuro nem o conformismo pardo. O presente tem «o acesso bloqueado»? Cabe a nós encontrarmos novas chaves, novos atalhos, novas formas activas de o usufruir. Não há becos sem saída, por difícil que seja percorre-los neste presente sombrio.

O solo que pisamos é livre, e desde há muito terreno libertado. Defendamo-lo.

A liberdade está a passar por aqui.
Sérgio Godinho

Já nos doem os ossos de tanto penar (texto de apoio da Associação José Afonso)


Já nos doem os ossos de tanto penar.

Andamos por aqui e por ali à procura dos dias de sol, da alegria incontida, do devir que nos faça olhar o mundo com esperança. 
Quase há 40 anos sonhamos com um Abril luminoso, justo, recto, sem desencantos nem trevas quotidianas. 
Fizemos o que tínhamos a fazer, mas não fomos capazes de barrar o caminho a quem nos queria trocar as voltas. 
Por isso, eles andam por aí. 
Por isso, continuamos enrodilhados e fartos de não sabermos o que nos espera. 
As ruas não chegam para toda a nossa revolta…é certo…mas não poderemos deixar que fiquem vazias…simplesmente por queremos ser livres…como o vento! 
A Associação José Afonso estará lá - seja o” lá” onde for - no dia 26 de Outubro, porque nos recusamos a aceitar a prepotência e mesquinhez dos que acham que podem, querem e mandam…e assim nos vão roendo a alma. 

Pela Direcção da Associação José Afonso,
Francisco Fanhais
(Presidente)

As primaveras são conquistadas a pulso (depoimento de Joaquim Paulo Nogueira)

As primaveras são conquistadas a pulso

A vida deste país tornou-se um inferno. Apetecia-me hibernar, fazer de urso, esperar pela Primavera.

Não estou para esconder a minha tristeza. O meu desespero. Estes últimos anos tem sido terríveis. Até o meu interminável optimismo tem uma crescente dificuldade em manter uma conversa inteligível comigo. O grau de destruição da nossa capacidade anímica, da nossa possibilidade, da nossa alegria, da nossa cultura, é arrasador.

No inferno em que a vida deste país se tornou, hibernar, fazer de urso, esperar pela Primavera, é isto a que se chama futuro?

A minha tristeza não é figurativa, um devaneio intelectual. Nas ruas encontro o mesmo cansaço, o mesmo desespero. Teremos sem dúvida muitas formas de o figurar e nem sempre coincidentes mas há uma coisa em que um largo espectro social e político parece convergir: vivemos num pesadelo, o país vive num pesadelo, a comunidade europeia vive num pesadelo.

Não há outra forma de o dizer. Aquilo que nos foi apresentado como o sonho europeu, tornou-se hoje num pesadelo, num balão de ensaio de totalitarismos vários, de onde sobressai esse austeritarismo brutal que nos tem vindo a descaracterizar. A banalização do mal de que, com tanto empenho, nos falou Hannah Arendt.

Parece tão difícil acreditar na democracia hoje!

A vida deste país tornou-se um inferno mas não há nenhuma Primavera que não seja conquistada. A menos que queiramos continuar a fazer de ursos.

E é tão pouco o que se exige a cada um: que nos encontremos, que enchamos as nossas ruas, pode ser também com a nossa tristeza, com o nosso desespero, com o nosso não saber, mas que as enchamos, que as transbordemos de nós connosco.

Dia 26 de Outubro, entre o Rossio e São Bento, estarei, estaremos lá. E de tanto não saber para onde se fará chão.
Joaquim Paulo Nogueira

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Liberdade (depoimento de Paula Cabeçadas)

Liberdade

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova

E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
De um tempo justo
SOPHIA DE MELLO BREYNER

É para libertar este país do jugo da fome, é para libertar esta gente ignorada e pisada, humilhada e calcada, é para reencontrar um país liberto que no dia 26 saio à rua.
Que se Lixe a Troika! Não há becos sem saída!
Paula Cabeçadas 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Liberdade – Igualdade – Fraternidade (depoimento de Isabel Atalaia)

Liberdade – Igualdade – Fraternidade 

«Os homens nascem livres e iguais em direitos»  estas palavras estão prestes a comemorar 225 anos. Hoje, mais do que nunca devem ser lembradas e repetidas. Porque no dia 26 de Outubro é por elas que saio à rua. Pelo meu país, mas também por todos os países onde um capitalismo de casino, especulador e amoral esquece e quer que esqueçamos que ao nascer somos todos livres e iguais em direitos. E essa igualdade de direitos não é da categoria do etéreo. É o direito a uma vida digna, a uma saúde pública, a um ensino público, um direito de protecção do trabalho, da casa, da mobilidade, da cultura. Porque é através da protecção desses direitos que nos tornamos mais livres, mais iguais e mais fraternos. 

Ainda não estamos lá. Mas é para lá que quero ir e a Troika, acolitada por este governo, está a fazer voltar atrás o que se conquistou, interrompendo o caminho que foi sendo percorrido nos últimos 200 anos. 

Liberdade – Igualdade – Fraternidade – foram as palavras que varreram o mundo, fundadoras das repúblicas das quais as democracias do século XXI são tributárias. Não as quero esquecer! 
Liberdade – Igualdade – Fraternidade – Não as esqueçamos! 
Que se Lixe a Troika! O Povo é quem mais ordena! 
Isabel Atalaia

Suspender a «dívida pública» e recomeçar a viver (depoimento de Raquel Varela)

Suspender a «dívida pública» e recomeçar a viver

Dizem-nos que o Estado precisa de emitir dívida para se financiar. Não é verdade. A questão não é saber se o Estado precisa de emitir dívida para se financiar, a questão é outra: em benefício de quem é que o Estado precisa de emitir dívida? Já provámos, num estudo que até hoje ninguém contrariou, que o Estado não precisa de emitir dívida para financiar as funções sociais. Então, por que é que a emite? Aceitando a divisão feita pelo próprio Eurostat, o Estado precisa de emitir dívida para financiar os ganhos do Capital (lucro, juro e renda) e estes estão todos contabilizados, como bem sabemos, em parcerias público-privadas, em subcontratações de serviços externos, na própria dívida, na recapitalização de bancos falidos, etc., etc. É o parasitismo do Orçamento bem à vista de todos: gente que coloca os seus capitais em títulos de dívida que rendem juros garantidos, parcerias que rendem sem risco, empresas que sorvem gigantescas massas de subsídios na forma de isenções fiscais, etc.

Estou entre aqueles que acreditam que só a partir da suspensão do pagamento da dívida se podem criar as condições necessárias para uma disrupção social, para uma profunda instabilidade política, que talvez seja a única forma de reverter a agonia em que entrou quem vive do seu salário, ou seja, para impedir a governabilidade dos que nos conduziram até aqui.

Quem desconhece que, no presente contexto político, “estabilidade política” é um eufemismo para desemprego e precaridade? Quem desconhece que “requalificação” quer dizer desemprego, “mobilidade” quer dizer despedimentos, “equidade” quer dizer roubo das pensões, e “dívida” quer dizer renda fixa de capital?

Suspender o pagamento da dívida significa garantir alguns certificados de aforro, garantir os depósitos para a média dos depositantes, e garantir a parte que cabe à segurança social: tudo o resto deve ter o seu pagamento suspenso, unilateralmente. Que pague a dívida quem a contraiu, quem dela beneficiou! Contudo, estes, aflitos perante a hipótese de perder a sua galinha dos ovos de ouro — esse juro constante sem fazer nada, sem trabalhar ou produzir —, irão tentar retirar o "seu" capital do território da produção nacional; por isso, a suspensão da dívida tem que ser acompanhada e conjugada com a nacionalização da banca e do sector financeiro, essenciais para o investimento na produção de riqueza social.

Este cenário de possibilidade talvez pareça bizarro, mas só parecerá extravagante e improvável para aqueles que registariam como a czarina russa, no seu diário, em 1917, os “deliciosos banho de mar”, as caçadas e o sabor do chá, quando, em São Petersburgo, a revolução já estava em marcha; para aqueles que, em véspera do Maio de 68, diriam com o editorial do jornal francês Le Monde: «a França aborrece-se!»; ou para aqueles que acompanhariam as palavras do ministro do Exército de Marcelo Caetano, Andrade Silva, que às 3 e pouco da madrugada de 25 de Abril dizia ao Ministro da Defesa, Silva Cunha: «peço-lhe que não se preocupe, pois está tudo sossegado e não há qualquer problema em qualquer ponto do País».

Este Sábado participarei na manifestação convocada pelo Movimento Que se Lixe a Troika. Participarei em todos os protestos até que este país deixe de se «aborrecer», até que possamos recuperar as nossas vidas de volta.
Raquel Varela

domingo, 20 de outubro de 2013

Que se lixe o cansaço! (depoimento de Paulo Raposo)

Que se lixe o cansaço!

Estou cansado deste país ou do que resta dele. Cansado deste governo (e de outros parecidos). Cansado de governos. E de desgovernos. Cansado desta comunicação social. Cansado destes políticos. Cansado destes analistas e comentadores. Cansado da comunicação que nada comunica. Cansado destas centrais sindicais e destes patrões. Estou também cansado dos empurrões de quem está cansado como eu. Estou cansado das disputas pelo cansaço-mor. Pela vanguarda do cansaço. Pelos portos que não se bloqueiam, pelas pontes que não se caminham, pelas assembleias que não se cercam...Estou cansado do cansaço do protesto. 
Cansado deste povo até. Estou mesmo cansado. 

Estou cansado dos cortes, da austeridade, da vidinha cada vez mais tristonha, das tarefas profissionais cada vez mais enfadonhas e exorbitantes, da crescente vontade de emigrar e de ver amigos a partirem todos os dias. Do salariozinho enxertado em impostos e taxas. Do desemprego à vista todos os dias. Estou cansado de ver os recursos entregues ao primeiro privado sem escrúpulos e manhoso que se chegue à frente. De ver a energia, a água, os ctt, os transportes, as escolas, os hospitais, as ruas até...se tornarem meros negócios para especuladores. Estou cansado das canalhices sem vergonha que enchem os cofres de uns e abandonam à sua sorte tantos outros. Estou cansado de crescimento económico e de uma economia que não existe para as pessoas. Estou cansado de verificar que é assim em todo o lado. Aqui, no resto da Europa, no resto do mundo. Estou cansado deste cansaço global. 

E estou cansado de ter de agitar meio mundo cansado a mudar o cansaço. Cansado de plenários com quem ainda acredita que vale a pena mudar o cansaço. Estou cansado até de estar cansado com o cansaço. E estou cansado da desesperança...da tristeza e apatia no olhar daqueles com quem me cruzo. 

Mas depois de tanta canseira sobra sempre a mesma questão: 
E então? vais desistir? e o que resta para os putos lá em casa? e o que resta para o mundo lá fora? e o que vai restar do raio do planeta? e o que resta para ti? 
E a resposta só pode ser uma: Não HÁ becos sem SAÍDA! 

E por isso dia 26 de Outubro, chova ou faça sol, cansado ou exausto, estarei na rua cansado de estar cansado, a lutar por um mundo diferente, sempre! E confiante que deste cansaço seremos capazes de fazer poesia, liberdade e um mundo novo. 
Que se lixe o cansaço! 
(E agora não me digas que não vais à manif)
Paulo Raposo

Tudo se perde, nada se reforma (depoimento de Rui Moreira)

Tudo se perde, nada se reforma

Este é o fim da linha para o Governo. Perante os resultados que produziram, imputam ao Tribunal Constitucional as consequências da ilegitimidade em que fundaram a execução das suas políticas.
Analisemos os resultados deste Governo nos diferentes níveis:

O servilismo internacional (partindo do princípio de que o Memorando não serve os interesses do país):

O Memorando de Entendimento deveria ter sido discutido no perímetro de Bruxelas. Como sabemos, alterações à sua forma ou conteúdo só nesse espaço se poderiam ter dado. O Governo preferiu discuti-lo internamente, arremessando ao Partido Socialista as suas implicações. Porém, a clarividência com que metamorfoseou Angela Merkel das eleições legislativas de 2011 para a sua visita a Portugal em 2012 revela, mais uma vez, a leviandade, talvez propositada, com que geriu esta matéria.
Ao invés de exigir a sua alteração em sede própria, o caminho escolhido foi antes o do servilismo, da concordância com os funcionários da Troika, não permitindo sequer uma discussão política séria em torno das opções tomadas. Parafraseando Pacheco Pereira: "em protectorados existem dois tipos de indivíduos: os resistentes e os colaboracionistas". O Governo assim escolheu.

A desestruturação ideológica da Administração Pública e a inconsequência dos cortes orçamentais:

Privados de rigor e/ou base científica, muitos estudos sobre a Administração Pública surgiram. Indicando o excesso de funcionários e a ininteligência do funcionamento do sistema, rapidamente sumiram quando dados revelados pela OCDE indicavam que:
- Em Portugal, o número médio de trabalhadores pelas várias administrações é inferior ao verificado no resto da UE;
- O horário de trabalho e a sua relação com a remuneração estão igualmente abaixo da média europeia;
- Os recursos utilizados pelo Estado per capita na manutenção dos seus serviços é consideravelmente inferior aos de países igualmente desenvolvidos. 
Após o falhanço destes estudos encomendados fazer escola (assim o foi junto da população, excluíndo uma cartilha de economistas devidamente providenciada), o Governo decidiu, à luz de algumas verdades feitas nunca provadas, proceder à desestruturação ideológica da Administração Pública. Este atentado, verificado no Orçamento do Estado para 2014, ataca todos os portugueses, das crianças no infantário aos viúvos abandonados em casa. A racionalização de recursos é maioritariamente acente em pressupostos salariais. Pressupostos que comprometem a estrutura de prestação de serviços do Estado, assim como a filosofia inerente ao contrato social celebrado com os cidadãos pela Constituição da República Portuguesa e o Estado. Esta revolução é ideológica, apesar de o Governo o desmentir diariamente. Para o conseguir, transformou os funcionários públicos no seu cavalo de batalha, colocando-os no epicentro de uma concepção ideológica radical. Combateu corporações e sindicatos, grupos e classes. Tudo isto em nome do ajustamento, naturalmente.
A proposta de revisão constitucional apresentada há alguns anos por Passos Coelho assim também o denuncia, somando-se às sucessivas propostas de Orçamento que visam dissipar os balanços sociais mínimos na sociedade portuguesa. Os cortes orçamentais programados vêm corroborar, para além de uma convicção maquiavélica, a inconsequência desta política. E exemplo disso é o estado da Grécia e dos seus cidadãos.

As reformas silenciadas pelas intenções de destruição:

Durante estes dois anos de actividade, fomos brindados com os mais singelos anúncios de "reformas estruturais" por parte dos vários ministros. Tais acontecimentos acompanhariam a solvabilidade financeira do Estado. Aqui fica uma listagem daquelas concluídas com sucesso:
- Reduções salariais;
- Flexibilidade laboral e precarização das relações de força entre trabalhadores e patronato;
- Estado de assalto permanente relativo a direitos e obrigações contratualizados.

Tribunal Constitucional, o bode expiatório:

Também a Comissão Europeia concebe as decisões do Tribunal Constitucional como criminosas. Depois do Governo, faltavam apenas alguns coloquiais internacionais tomarem partido pela carroça fascista que atropela tudo e todos. Num país sem a devida oposição ao Governo, valha-nos um Tribunal Constitucional não politizado e transparente, salvaguarda da réstia de pão que muitos vão comendo. Em seu nome, serão pedidos mais resgates financeiros e exigidos mais sacrifícios, apesar da separação de poderes não permitir a qualquer juiz a assinatura de qualquer contrato em nome dos governos.
Para Passos Coelho, tudo se perde e nada se reforma. Um Governo inútil, desprovido de sentido de Estado e preparação política, vingativo no seu ajuste de contas com as conquistas de Abril. Por isso estive ao lado da CGTP. E estarei com todos no próximo dia 26, com o objectivo comum de desocupar o Estado de fascistas.
Rui Moreira

Boa noite (depoimento de Rui Dinis)

Boa noite. 

25 minutos de Albuquerque. Depois outros tantos à espera duma resposta. 15 segundos: CGTP cancela manifestação e apela à concentração em Alcântara, o governo proíbiu, está proibido. É assim. Fatalidades de se jogar para o empate. Afinal estamos habituados. Não há becos sem saída, eu sei, e bem vistas as coisas estamos a falar de uma ponte, é só uma ponte, que, a julgar pelo nome, quisemos que se deixasse de chamar Salazar. Becos, pontes? Mas alguém me pode tirar de dentro desta merda de metáfora?
Albuquerque fala, tosse, compõe o cabelo, espirra, pensa que pode e fode, caga, come e mesmo assim nem com todas figuras de estilo em voga, se torna ser humano para que lhe tire o chapéu, bravo minha cara, a puta que a pariu. 
Faltam-lhe os argumentos? Faça uma manchete para os jornais. Faltam-lhe as ideias? Vá para comentador profissional. Falta-lhe a pica? Aplique metadona. Não se pode manifestar? Inscreva-se na meia maratona. Não pode invadir? Não pode invadir? Não pode invadir? Vá, repita muitas vezes, vezes bastantes até que não pode invadir? se torne não posso invadir! 
Erga um palco, e se metáforas caírem do céu, que sejam as pedras que de lá possam partir.
Não esqueço 15 de Outubro, meu amor. O grito, a preplexidade de sermos mais do que ousámos prever: o grito, o grito, o grito. Dia 26 lá voltaremos com a certeza de que tudo mudou, o sentido do teu grito, não.
Boa noite.
Rui Dinis

Que se lixe a troika! Não há becos sem saída! (depoimento de Isabel Louçã)

Que se lixe a troika! Não há becos sem saída!

Não posso ficar quieta nem calada. Dia 26 vou do Rossio a S. Bento.Tenho 53 anos e lembro-me de um tempo em que o medo ocupava um espaço importante dentro das pessoas que eu conhecia; lembro-me, também, que a raiva e a revolta, às vezes, ganhavam ao medo e criavam situações de esperança. E lembro-me do medo que senti ao aperceber-me – já mesmo na fase final do tempo do medo, mas sem saber que este tempo ia acabar – que não se desiste da dignidade por medo do medo. 
Pouco tempo depois, foi o 25 de abril de 1974 e, com ele, começou um tempo em tudo diferente. Já não nos escondíamos para pensar, não faziam sentido os sussurros, a TV falava do mundo e as linhas telefónicas deixaram de ser escutadas. Construíamos o nosso caminho com as opções que fazíamos e deixámos de ser fantoches por ignorância, medo ou impotência. 
Sabendo de muita gente que sacrificou a sua vida e o seu bem estar por querer apenas as possibilidades que então tivemos, dou valor à liberdade e à democracia. Sabendo de gente que foi presa no tempo do medo, não posso ficar quieta e calada quando se negam tratamentos a doentes terminais por serem caros ou se transforma a escola de todos/as na escola de pobres ou se ignoram as pessoas com deficiência ou se culpabilizam desempregados/as pela sua miséria ou se instaura a precariedade como a normalidade no trabalho ou se diaboliza a despesa social com a velhice ou se salvam bancos enquanto se matam pessoas. Ou quando o medo regressa. Ou. Ou. Ou. Teria vergonha de ficar quieta e calada.
Isabel Louçã

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Boaventura Sousa Santos apoia a manifestação internacional de 1 de Junho



"As manifestações convocadas para o próximo dia 1 de Junho em muitas cidades europeias são o contributo importante para travar o assalto à nossa esperança e à nossa dignidade.
Queremos derrubar os governos conservadores ao serviço do capital financeiro mas queremos sobretudo mudar de política. Queremos tornar claro que:
- Entre mercados e cidadãos não há opção.
- A vida está acima da dívida.
- A crise é uma burla. Que a pague quem a inventou.
- Apliquemos as taxas de solidariedade aos bancos. Nunca às pensões.
- Inventaram os paraísos fiscais para mandar o povo para o inferno.

Um abraço muito solidario,

Boaventura"

Mensagem de Apoio da Associação José Afonso à Manifestação Internacional de 1 de Junho


"Em 1985 José Afonso – o poeta, andarilho e cantor – numa entrevista a Viriato Teles publicada no semanário "SE7E", avisava:

"O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! Acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reconduzidos à condição de homenzinhos e mulherzinhas. Temos é que ser gente, pá!"

Hoje, em 2013, no país de uma coisa chamada “troika” continua, infelizmente, a haver lugar para se cantar os “Vampiros”. É por isso que a Associação José Afonso vem por este meio declarar o seu apoio à Manifestação de dia 1 de Junho “Que se Lixe a Troika”.

Juntos seremos muitos, juntos seremos alguém!

Setúbal, 28 de Maio de 2013

Pela Associação José Afonso (AJA)

Francisco Fanhais"

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ken Loach supports the International Protest of June, 1st, "Peoples United against the troika"


Director Ken Loach has sent us a support message regarding the International Protest of June, 1st, "Peoples United against the troika":



"The attacks on working class people are happening across Europe. Mass unemployment, the reduction in welfare benefits, the lack of security in every aspect of life – all this demands a response. The old parties of the centre left are now compromised by their support for the austerity programme. Their idea of a compassionate capitalism that can be made to work in the interests of all is clearly a fraud. Predictably, when faced with this truth, they line up with the parties of the Right.
We need to start again. We need new parties of the Left that understand and defend the interests of ordinary people. We need to unite in this project across Europe. We can only succeed if we make a reality of the ‘Internationale’!

With good wishes and solidarity,
Ken Loach"


(leia em português aqui)

Ken Loach apoia a Manifestação Internacional de 1 de Junho, "Povos Unidos contra a troika"


Recebemos a seguinte mensagem do realizador Ken Loach, em apoio à manifestação de 1 de Junho:


"Os ataques às pessoas da classe trabalhadora estão a acontecer por toda a Europa. Desemprego massivo, redução de apoios sociais, falta de segurança em todos os aspectos da vida – tudo isto exige uma resposta. Os velhos partidos do centro-esquerda estão agora comprometidos com o apoio aos programas de austeridade. A sua ideia de um capitalismo com compaixão que pode trabalhar para os interesses de todos é claramente uma fraude. Previsivelmente, quando confrontados com esta verdade, alinham com os partidos da direita.
Temos de começar de novo. Temos de ter novos partidos da esquerda que compreendam e defendam os interesses das pessoas comuns. Temos de nos unir à volta deste projecto em toda a Europa. Só poderemos ser bem sucedidos se conseguirmos que a “Internacional” se torne uma realidade!

Desejos de boa sorte e solidariedade,
Ken Loach"


(read it in english here)

TEMOS DE DIZER NÃO | Apoio da escritora e activista Susan George

Recebemos a seguinte mensagem de Susan George, em apoio à manifestação de 1 de Junho:


"Espero que no dia 1 de Junho toda a gente na Europa saia à rua para protestar contra a troika.
Porque é que devemos protestar contra a troika? Porque estamos perante três instituições completamente anti-democráticas.
A primeira é, claro, o Fundo Monetário Internacional, que veio dizer que agora já sabe que a austeridade vai criar desemprego massivo e será extremamente dispendiosa para a economia, não fomentando qualquer crescimento! Eles sabem isto. Eles estudaram isto. Publicaram-no. Mas ainda assim não mudam as políticas.
A segunda é o Banco Central Europeu, que funciona por nomeação. A liderá-lo está um homem muito inteligente, Mario Draghi, que foi também empregado da Goldman Sachs. Quem é que acham que ele vai privilegiar nas suas decisões? Serão os povos ou será o sistema bancário?
A terceira é a Comissão Europeia, que também não é eleita.
As três em conjunto encarregaram-se de chamar a si as decisões políticas dos estados-membros. Ninguém alguma vez aceitou isto.
Agora temos tratados que nos estão a pôr num colete de forças; dizem-nos que a Comissão Europeia e essas outras pessoas não eleitas decidirão acerca dos nossos orçamentos, das nossas dívidas e das nossas formas de pagamento; que irão tratar de tudo, das funções mais importantes que competem aos governos e, em particular, aos parlamentos que nós elegemos. Podem ser bons ou maus, mas pelo menos foram eleitos. 
Temos de dizer não a esta destruição, a esta destruição sistemática da democracia. Temos de dizer não às medidas que estas pessoas estão a implementar, pois são medidas inventadas em nome da indústria financeira, das grandes empresas e duma pequeníssima minoria de europeus, para quem a crise tem sido uma oportunidade para enriquecer. Trata-se de uma política anti-democrática, anti-pessoas e anti-humana, a que todos os europeus têm de se opor, pois, se não o fizerem, serão eles as próximas vítimas."


(read it in english here)

Susan George supports the International Protest of June, 1st, "Peoples United against the troika"

Susan George has sent us a support message regarding the International Protest of June, 1st, "Peoples United against the troika":


"I hope everyone in Europe will come out on the first of June to protest against the troika.
Why must we protest against the troika? Because here we are up against three institutions, all of which are completely undemocratical.
The first is of course the International Monetary Fund which by the way have said that they know now that austerity is going to create huge unemployment and be extremely costly to the economy and not promote growth at all. They now this. They've studied it. They published. But they are still not changing policy.
The second is the European Central Bank, again, appointed. The head of it is a very smart man, Mario Draghi which was also an employee of Goldman Sachs. Who do you think he is going to priviledge in his decisions? Will it be the people or will it be the banking system?
The third is off course the European Commission, and these people are not elected either. The three of them together are taking onto their own shoulders the policy decisions of member countries. No one has ever signed up for that.
Now we have treaties that are putting us in a straitjacket, we are told that the European Commission and these other unelected people will deal with our won budgets, with our own debt and repayment system, that they are going to deal with everything all the things that are the most important functions of a government and particularly of a parliament which we have elected. They may be good, they may be bad, but at least we have elected them.
We have to say no to this destruction, this systematic destruction of democracy. We have to say no to the policies that these people are putting in place, because these policies are invented in the name of the financial industry, the corporate sector and a very tiny minority of europeans, for whom the crisis is an opportunity to enrich themselves. This is an anti-democratic, anti-people and anti-human policy which all europeans must oppose, because if they don't, they'll be the next victims."


(leia em português aqui)

terça-feira, 28 de maio de 2013

Congresso Democrático das Alternativas apela à participação na manifestação de 1 de Junho


Unidos para vencer a austeridade e para demitir o governo

O Congresso Democrático das Alternativas apela à participação no encontro «Libertar Portugal da Austeridade» (30 de Maio) e nas manifestações «Unidos Contra a Troika» (1 de Junho).

O Congresso Democrático das Alternativas tem-se batido pela construção de uma alternativa política que ponha fim à austeridade, à destruição da economia e das condições de vida dos portugueses e ao desmantelamento do Estado Social. Para isso, tem-se empenhado em todas as convergências que permitam uma verdadeira alternativa política a este governo e ao programa ideológico imposto pela troika. Tendo como principais objetivos a denúncia do memorando da troika, a renegociação da dívida e, como condição para que tal seja possível, a imediata demissão do governo e a realização de eleições antecipadas.

É neste espírito que o Congresso Democrático das Alternativas apoia todas as iniciativas de cidadãos e movimentos sociais que promovam a resistência à política criminosa deste governo e contribuam para a convergência das oposições políticas e sociais à austeridade.

Esta semana realizam-se duas iniciativas de grande importância, que são convergentes com os objetivos definidos pelo Congresso Democrático das Alternativas a 5 de Outubro de 2012, na Aula Magna, e reafirmados na Conferência “Vencer a Crise com o Estado Social e com a Democracia”, a 11 de Maio deste ano, no Fórum Lisboa.

No dia 30 de Maio realiza-se, na Aula Magna da Universidade de Lisboa, o encontro “Libertar Portugal da Austeridade”, que assinalará os dois anos da intervenção externa em Portugal. O encontro contará com intervenções de Mário Soares, Sampaio da Nóvoa, Rosário Gama (Apre!), Ramos Preto (PS), João Ferreira (PCP) e Cecília Honório (BE).

No dia 1 de Junho os europeus sairão à rua, mostrando que os povos estão unidos contra a austeridade. O movimento “Que se Lixe a Troika” convocou manifestações em dezenas de cidades portuguesas.

O Congresso Democrático das Alternativas saúda as duas iniciativas e apela aos cidadãos para nelas participarem e contribuírem para sua divulgação. O combate à austeridade, à troika e ao seu representante em Portugal, o governo de Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar, exige a convergência e a mobilização de todos os democratas. 30 de Maio e de 1 Junho devem ser dias de mobilização nacional para a demissão deste governo.

Pilar de Río apoia a Manifestação Internacional Povos Unidos Contra a Troika a 1 de Junho



"Quem quer ser pobre, excluído, desempregado? Parecem acreditar os membros da troika que há pessoas que nascem com vocação para sofredoras e por isso cortam e recortam direitos legalmente adquiridos como se de relva se tratasse, ignorando, na sua suprema ignorância, que cada vida é um projecto único, portentoso, mil vezes mais estimado que os planos de ajustamento que estupidamente desenham em papéis os funcionários de negro.

No entanto, ninguém nasce para pobre, excluído, desempregado. A razão humana tem vindo a servir para dominar a besta que habita no seio das sociedades (próximo do poder quando a besta não é o próprio poder), regulando com objectividade e procurando o bem comum. Hoje, nestes dias decisivos, é necessário combater o monstro com forças redobradas, porque se apetrechou de ferramentas subtis e está a gerar a percepção de que se desfrutava de privilégios concedidos, não de direitos conquistados e invioláveis, consequência de séculos de pensamento e da acção dos melhores.

Querem, os contabilistas de negro que nunca geraram empregos nem beleza, desenhar um mundo de pobres, excluídos, desempregados porque milhões de pessoas não são úteis para os planos dos ricos. Não vamos permiti-lo. No mundo herdado das melhores tradições cabemos todos, cada ser humano tem um lugar e um papel a desempenhar. Por isso, alto e bom som, vamos dizê-lo no dia 1 de junho nas ruas da Europa:

Não aceitamos os planos excludentes de organismos que não elegemos;

Não queremos que gente sem rosto e sem alma nos governe;

Não permitimos que entrem nas nossas vidas;

Não têm carta branca dos cidadãos, ainda que os governos se tenham entregado;

Não os queremos nos nossos países;

Que voltem para os seus gabinetes sem janelas e sem oxigénio: nós optamos pela vida;

Não nos lixarão: dizemos, sim, Que Se lixe a Troika!"

Pilar del Río