segunda-feira, 15 de outubro de 2012


Continuamos os protestos até nos ouvirem. Este orçamento não pode passar. A austeridade tem de recuar. Queremos Portugal de volta numa nova Europa. Não queremos troikas nem troikistas nem a assombração do inevitável. Queremos o espanto e a coragem de mudar. Pacificamente. Com determinação.

Ana C. Gonçalves, Ana Nicolau, António Costa Santos, Bruno Neto, Joana Manuel, João Camargo, Luís Bernardo, Magda Alves, Marco Marques, Margarida Vale do Gato, Mariana Avelãs, Myriam Zaluar, Nuno Ramos de Almeida, Paula Marques, Paulo Raposo, Ricardo Morte, Rita Veloso

Concentração "Cerco a S.Bento! Este não é o nosso Orçamento!" no Facebook

sábado, 13 de outubro de 2012

Mensagem do Sergio Godinho para hoje

Amigos:
 
Um compromisso anterior impede-me de estar aí, hoje, convosco.

E eu queria absolutamente estar hoje aí, ao lado dos meus companheiros de artes e profissão, a cantar e partilhar convosco a ‘outra música’ que queremos para este país.

Que este seja o primeiro do resto de muitos dias úteis.

 

                               Um abraço dos grandes, sempre

                                               Sérgio Godinho

Manifestação Cultural: preparação




domingo, 7 de outubro de 2012

Que Se Lixe a Troika! - Manifestação Cultural

No espírito das mais recentes mobilizações populares, um conjunto alargado de profissionais do mundo da cultura juntou-se a alguns dos subscritores do apelo às manifestações dos dias 15 e 21 de Setembro, sob o lema «Que se lixe a troika! Queremos as nossas Vidas» para lançar um grande evento cultural. Há nesta altura um aumento da percepção da grave situação em que se encontra o país, sendo cada vez mais evidente e urgente a necessidade de outras perspectivas. A cultura é imprescindível para a consciência de um povo, e é essa própria consciência que por sua vez cria e dá conteúdo à cultura. Os profissionais da cultura não são excepção à situação exasperante em que o país e o mundo se encontram actualmente: é imprescindível reagir, é impensável não o fazer. Do encontro de vontades nascido nas mais recentes mobilizações surgiu a ideia de uma expressão cultural, uma manifestação marcadamente baseada nas artes e no espectáculo para contestar a austeridade e os seus implementadores: governo e troika. O dia 13 de Outubro será um dia de protesto internacional, o Global Noise, em que esta iniciativa também se insere. Será um marco histórico e cultural, trazendo da rua para a arte e da arte para a rua toda a energia que as percorre. Será um dia cheio de eventos, de música, dança, teatro, poesia, pintura e todas as formas de arte que materializem o espírito de insubmissão que se sente em todo o país. 

Cultura é Resistência!
Que se lixe a Troika! Queremos as nossas Vidas!


Ana Nicolau, Belandina Vaz, Bruno Cabral, Bruno Neto, Carlos Mendes, Frederico Aleixo, Helena Romão, Joana Manuel, João Camargo, José Gema, Luís Pacheco Cunha, Magda Alves, Marco Marques, Myriam Zaluar, Paula Marques, Paula Nunes, Paulo Raposo, Ricardo Morte, Rita Veloso, Rui Franco, Sofia Nicholson

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Comunicado

O direito de manifestação é legítimo e saudável em Democracia, e por alguma razão emergem protestos em diversas cidades portuguesas (e estrangeiras), em datas simultâneas ou não, expressando a indignação da população com o actual estado do país e com as opções e os modelos políticos, económicos e sociais globais. Todavia, os subscritores do protesto "Que se lixe a troika! Queremos as nossas Vidas!" não podem nem querem, à partida, envolver-se em todos os eventos que sob esse lema são criados, manifestando desde já legítimas reservas ao carácter nacionalista extremado, e até xenófobo em certos detalhes, de algumas convocações.

Descartamos qualquer intervenção nossa em protestos de que esteja ausente uma denúncia internacional da crise actual e dos seus responsáveis sob esse enquadramento mais amplo, antes baseando-se tão-só num processo de criminalização cega da classe política, sem qualquer reflexão ou ponderação, exponenciando um clima de "caça ás bruxas" que não podemos aceitar. Não concordamos com esta forma de "populismo" que, embora decorra de uma indignação genuína e até de uma ira colectiva legítima contra muitos responsáveis governativos, assume formas de actuação não-democrática que não subscrevemos.

Porque há protestos a ser lançados nas redes sociais como estando associado à manifestação de 15 de setembro e à concentração de 21, em Belém, de que fomos promotores e promotoras, não podemos deixar de nos pronunciar sobre este assunto. Se não for divulgado nos nossos canais, nomeadamente na nossa página de facebook e no nosso blogue , não se trata de um protesto em que tenhamos responsabilidade.

A luta e a resistência podem e devem prosseguir, mas exprimindo claramente as motivações que nos levam a protestar e a pensar. O problema da crise actual não decorre apenas deste ou daquele governante em particular, mas sim de modelos de governação e de subordinação aos mercados financeiros e às políticas neo-liberais selvagens, nacional e internacionalmente promovidas, que insistem em impor austeridade, empobrecer os países, cercear direitos e limitar a democracia.


Assinado por: Ana Nicolau, Belandina Vaz, Bruno Neto, Frederico Aleixo, Joana Manuel, Luís Bernardo, Magda Alves, Magdala Gusmão, Marco Marques, Margarida Vale do Gato, Mariana Avelãs, Myriam Zaluar, Nuno Ramos de Almeida, Paula Marques, Paulo Raposo, Ricardo Morte, Rita Veloso, Rui Franco

terça-feira, 2 de outubro de 2012


Para defender um lado, basta não dar o mesmo tempo de antena aos dois. "Prós&Prós", a maior fantochada da televisão portuguesa.



"Vivemos uma situação em que centenas de milhares de pessoas pela Europa se revoltam contra memorandos da troika, governos troikistas e politicas de austeridade que, com o pretexto de não haver alternativas, destroem as suas vidas. A face mediática desta política desastrosa são os debates de sentido único, como neste programa "Prós e Contras", em que a palavra é dada aos do costume e os outros estão lá apenas para fazer figuração."

(do Comunicado de Imprensa emitido ontem por subscritores e subscritoras do apelo à manifestação de dia 15 de Setembro)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Comunicado de Imprensa


Subscritores e subscritoras da manifestação de 15 de Setembro contra o programa "Prós e Contras" de hoje à noite

Realiza-se esta noite na RTP1 um programa "Prós e Contras" sobre o aparecimento de grandes manifestações em vários países da Europa e os desafios que elas colocam à ordem estabelecida. Alguns subscritores e subscritoras do apelo da manifestação de 15 de Setembro "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!" foram abordados pela produção do programa para estarem na plateia esta noite, juntamente com "a jovem Adriana que abraçou um polícia". No palco, a escalpelizarem longamente as manifestações e as suas características, foram convidados a estar o director nacional da PSP, um responsável da GNR e dois antigos ministros da Administração Interna.

Tendo em conta que o tema do programa, de acordo com o que lhes foi comunicado pela produção, é o próprio aparecimento das manifestações e não "a segurança nas manifestações", vários/as organizadores/as da manifestação de 15 de Setembro consideram que a discussão sem manifestantes é transformar um programa de debates numa sessão de manipulação da opinião pública. Como vem sendo demasiado hábito neste programa, estamos perante um verdadeiro "Prós e Prós", em vez de uma emissão jornalística de confronto de ideias. Diversos subscritores e subscritoras do apelo "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!" recusaram estar presentes para legitimar tal emissão de características securitárias. Sugerimos aos organizadores do programa "Prós e Contras" que alterem a sua célebre promoção em que aparecem manifestantes e polícias frente a frente, tentando cada um deles perceber o ponto de vista do outro, já que o programa em questão raramente tenta dar a conhecer, de forma equilibrada, a perspectiva de ambos os lados.

Vivemos uma situação em que centenas de milhares de pessoas pela Europa se revoltam contra memorandos da troika, governos troikistas e politicas de austeridade que, com o pretexto de não haver alternativas, destroem as suas vidas. A face mediática desta política desastrosa são os debates de sentido único, como neste programa "Prós e Contras", em que a palavra é dada aos do costume e os outros estão lá apenas para fazer figuração. Discutir o momento actual segundo o ponto de vista da polícia e de ministros da Administração Interna é fazer todo o esforço possível para abafar os verdadeiros motivos da onda de revolta que varre a Europa.

Assinado por: Ana Carla Gonçalves, Ana Nicolau, António Costa Santos, António Pinho Vargas, Belandina Vaz, Bruno Neto, Diana Póvoas, Frederico Aleixo, Joana Manuel, João Camargo, Luís Bernardo, Magda Alves, Magdala Gusmão, Marco Marques, Margarida Vale Gato, Mariana Avelãs, Myriam Zaluar, Nuno Ramos de Almeida, Paula Marques, Paulo Raposo, Ricardo Morte, Rita Veloso, Rui Franco, Sandra Monteiro, Tiago Rodrigues.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Comunicado de Imprensa


Tantas horas de Conselho de Estado para nada

Quando o país esperava que o Conselho de Estado o percebesse, este fechou os olhos. Para quem se manifestou a 15 de Setembro e esteve nas vigílias de 21 de Setembro, os problemas deste país não se resolvem pelo facto de o governo passar a tirar-nos de outra maneira aquilo que nos roubava na TSU. Ao conquistarem as ruas das suas cidades sob o lema “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!”, centenas de milhares tomaram uma posição firme de denúncia de um programa, o da troika, de um governo, o dos troikistas, e de um método anti-democrático, o de sujeitar a população portuguesa a politicas que as pessoas não discutiram nem votaram.

Os resultados comunicados ao país, após mais de oito horas de reunião, apenas sugerem, sem concretizar, um possível recuo na subida da TSU para os trabalhadores. Não nos congratulamos por isso: consideramos grave a avaliação de que sem o protesto cívico não se teria alterado sequer esta aberrante medida. Congratulamo-nos, antes, pelos milhares de pessoas que fizeram exercício da sua participação política, muitas intervindo pela primeira vez e muitas outras reiterando protestos desencadeados em diversos sectores da sociedade, face aos sucessivos cortes nos rendimentos do trabalho e nas reformas, na Saúde, na Educação, na Cultura, as privatizações das companhias fornecedoras de gás e electricidade, os consequentes aumentos de preço e do IVA, o agravamento de custos e as limitações às redes dos transportes públicos. Os problemas do país não se resolvem com estas medidas de austeridade. A resolução passa por dar voz ao povo, para que decida em conjunto como garantir um país justo, defendendo os interesses de quem cá vive e trabalha e invertendo cruéis assimetrias em prol de subservientes acordos assumidos com a troika.

O Conselho de Estado – em que não se garante, de maneira alguma, uma verdadeira representação do espectro político português – revelou os mesmos defeitos de cegueira e surdez à voz do povo, característicos do governo, desrespeitando e reinterpretando a seu gosto estes últimos e inequívocos protestos, num texto paupérrimo e vazio, uma manobra de bluff político. Confirmámos assim que não é apenas o governo quem vira as costas ao seu povo. O incansável protesto da multidão demonstrou que, nitidamente, também o Presidente da República perdeu por completo o respeito dos cidadãos e das cidadãs que vivem e trabalham neste país.

É por isso necessário que continuemos a protestar. É cada vez mais urgente traçar um novo rumo. Um rumo que tenha finalmente as pessoas como centro das atenções, e não bancos e mercados ou interesses financeiros e especulativos. Um rumo que reforce a participação democrática e cidadã e não nos limite a vulgares espectadores de uma tragédia colectiva, ditada de gabinetes e de bolsas. Um rumo que aponte para uma verdadeira solidariedade internacional, numa mudança de regime que beneficie todos os povos, e que começa cada vez mais a ser desenhado por plataformas e acções que apelam à convergência cívica em vários países e designadamente à construção de uma nova Europa. Ao contrário do primeiro-ministro Passos Coelho que considerou ser de menor importância uma reunião de governos de Itália, Grécia, Espanha e Irlanda e Portugal para discutir as politicas europeias, nós achamos fundamental que os povos da Europa ajudem a traçar políticas para desenvolver a economia e o emprego em vez de planos para garantir e multiplicar os lucros dos especuladores e agiotas que jogam com as dívidas soberanas.

Consideramos ainda premente, para o nosso país e para as nossas vidas, que as cidadãs e os cidadãos esqueçam eventuais e pontuais divergências e se unam, se solidarizem e se juntem a outras forças organizadas e aos movimentos que recusam este rumo, numa frente de resistência comum. Apelamos por tudo isto à participação massiva no protesto entretanto convocado pela CGTP-Intersindical para o próximo sábado, dia 29 de Setembro. Juntos reclamaremos esse novo rumo, que inverta totalmente a sujeição do governo aos joguetes políticos de entidades não sufragadas, que cinicamente nos impõem “ajudas” com juros fatais e sacrifícios que jamais ousariam sequer imaginar para si próprios. Um rumo onde não cabem a troika nem os troikistas.

Queremos as nossas vidas.
E por elas estamos dispostos a fazer, em cada dia de luta, em cada novo protesto, algo de extraordinário.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012


Pelo direito de cidadania activa

A 15 de Setembro, um grupo de cidadãos e cidadãs decidiu lançar um apelo à sociedade portuguesa para que se manifestasse nas ruas de Lisboa, em protesto contra o rumo imposto por orientações externas impostas sem sufrágio democrático - pela Troika - e contra o modelo de governação vigente. Mais de 40 cidades responderam espontanea e autonomamente a este apelo. Realizou-se o que muitos dizem ter sido “o maior protesto de massas desde o 25 de Abril”. Um milhão de vozes exerceu o seu direito de cidadania e expressou claramente a sua indignação e o seu protesto. Foi claramente qualquer coisa de extraordinário.

O activismo e a participação civica e política são garantias constitucionais em quase todos os países. Todavia, o modelo de governação vigente na maioria dos países ditos democráticos tem vindo a sofrer profundas alterações e condicionalismos decorrentes da interferências de interesses económicos e financeiros sem responsabilidade democrática, de agentes e instituições supra- nacionais não sufragadas e de clientelismos e corruptelas de gravidade diversa.

Estas modalidades de ingerência nos regimes democráticos de muitos países têm conduzido ao agravamento de uma crise económica de larga escala, nomeadamente a nível europeu, e, apesar de conhecidos os mecanismos e os responsáveis por este desenlace, as soluções apontam apenas para o agravamento das condições de vida dos povos e do planeta, agravam o desemprego e a precariedade e fragilizam os direitos laborais e cívicos de cidadania.

Acresce que todo este clima de imposição de políticas de austeridade tem trazido consigo o crescimento de medidas de repressão e de limitação dos direitos políticos dos cidadãos e das cidadãs: a detenção e repressão policial de manifestantes, a proibição ou a limitação de protestos no espaço público, a regulamentação restritiva do exercício político cidadão ou o encerramento de espaços e a perseguição a colectivos de activistas.

Na Grécia, durante o último ano, são bem conhecidas a brutalidade e a repressão generalizada de diversos protestos populares; em Inglaterra, o processo Julian Assenge revelou-se paradigmático do modo de limitação do direito de informar e de expressão; no Egipto, depois da brutalidade sobre os manifestantes que clamavam liberdade e democracia sucedeu-se uma forte perseguição a activistas e cyberactivistas; na Rússia, o caso Pussy Riot terminou numa pena de prisão injustificável; e, na África do Sul, a matança horrível de civis grevistas demonstra que os últimos tempos estão muito distantes do respeito pelos Direitos do Homem, da Liberdade de Expressão ou da participação cidadã livre e democrática.

Nos últimos dias, em Espanha, vários manifestantes no dia 15 de Setembro foram detidos injustificadamente por protestarem nas ruas das suas cidades. A Plataforma Afectados pela Hipoteca, parte da Cumbre Social, que coliga mais de 900 organizações, já repudiou as detenções. Colectivos foram desalojados sem aviso prévio nem processos pendentes apenas para limitar a sua capacidade mobilizadora e actuante. Em Portugal, ressalve-se que a polícia cumpriu a 15 de Setembro o seu dever de acompanhar a segurança dos manifestantes, e a fotografia do abraço entre uma activista em protesto e um agente em trabalho correu mundo; no entanto, agravam-se as medidas de prisão ou os julgamentos sumários sobre manifestantes que praticam actos de desobediência civil ou simplesmente convocam protestos. A criminalização do protesto, como bem refere o comunicado do colectivo RDA69, é uma doença que contamina as democracias. É preciso combatê-la. Já.

Paralelamente, a justiça opera com extrema lentidão e dificuldade nos chamados crimes de “colarinho branco”, de corrupção, de desvio ou de branqueamento de capitais, cujos desfechos são frequentemente a absolvição, a anulação ou o arquivamento dos processos.

O direito à cidadania activa impõe-se e é urgente, e as grandes manifestações do passado sábado, em Portugal ou na Espanha, demonstram que os cidadãos e as cidadãs sabem exercer os seus direitos responsavelmente, mesmo que com firmeza e indignação, e que a sua voz não deve ser calada ou aprisionada, sob o manto persecutório e paranóico da ameaça terrorista.